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SONETOS - WILLIAM SHAKESPEARE  escrito em terça 20 outubro 2009 14:05

avareza, circo, palahaÇos trovadores, riso

                  IV

Por que desperdiçada a ser assim costuma

Por ti mesmo contigo a tua avita beleza?

A Natura não dá de graça coisa alguma;

Empresta só, mas só aos que usam de franqueza.

Então, belo avarento, é muito justo dares

O que ela não te deu senão para que o desses.

Inútil usurário és tu. Por que guardares

Teus dotes, se também da vida ao ocaso desces?

Por viveres assim tão egoisticamente,

Apenas a ti mesmo é que iludes, decerto.

E, quando a Morte, enfim, se te puser em frente,

Que conta hás de tu dar desse teu rumo incerto?

      TUA BELEZA INVULGAR, QUE, SENDO BEM USADA,  PODIA HERDEIROS TER, FAR-SE-Á, NA TUMBA, EM NADA.

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