IV
Por que desperdiçada a ser assim costuma
Por ti mesmo contigo a tua avita beleza?
A Natura não dá de graça coisa alguma;
Empresta só, mas só aos que usam de franqueza.
Então, belo avarento, é muito justo dares
O que ela não te deu senão para que o desses.
Inútil usurário és tu. Por que guardares
Teus dotes, se também da vida ao ocaso desces?
Por viveres assim tão egoisticamente,
Apenas a ti mesmo é que iludes, decerto.
E, quando a Morte, enfim, se te puser em frente,
Que conta hás de tu dar desse teu rumo incerto?
TUA BELEZA INVULGAR, QUE, SENDO BEM USADA, PODIA HERDEIROS TER, FAR-SE-Á, NA TUMBA, EM NADA.